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DivertidaMente – Uma Viagem pelas Emoções

DivertidaMente – Uma Viagem pelas Emoções
19 de julho de 2015 Erika Mendel

O Filme Divertidamente conta a estória de Riley, nossa heroína, uma pré-adolescente de 11 anos de idade que acaba de se mudar para uma nova cidade e está passando por um difícil momento de adaptação.

Ele divide a protagonização do filme com as suas emoções, pois o filme conta sua história a partir da perspectiva de suas próprias emoções. As emoções básicas segundo Paul Ekman são: Raiva, tristeza, alegria, medo, nojo e surpresa. Estas emoções são universais ou seja comuns em diversas culturas. No filme, a emoção da surpresa não foi incluída.

Estas emoções trabalham juntas para oferecer à Riley a melhor experiência emocional durante esta fase tão difícil, a pré-adolescência e adolescência. O filme mostra como as emoções de Riley estão se modificando rapidamente e como elas estão atuando de forma voluptuosa em todos os momentos nesta etapa da vida.

Riley se vê ao mesmo tempo se despedindo de suas raízes, gostos, hábitos, amizades construídos durante os seus primeiros anos de vida que ficam para trás em sua cidade natal, como também despedindo da sua infância. Haja Mudança! Mudanças drásticas enfrentadas pela nossa pequena Riley que está sempre acompanhada pelas suas emoções.

Lição sobre o papel de cada emoção:

Cada emoção teve e continua tendo o seu papel crucial para o desenvolvimento humano. No passado algumas das emoções negativas tiveram um papel funcional mais decisivo para a manutenção da espécie, como por exemplo o Nojo, que no passado tinha uma função de manutenção da vida protegendo-nos contra as intoxicações alimentares.

A raiva era importantíssima para alavancar o organismo fisiologicamente e lutar contra o inimigo seja ele animal ou humano.

Os estados de Medo preparavam para fuga ou para a paralização frente ao perigo. A emoção para garantir segurança.

Hoje estas emoções “perderam” parte da sua funcionalidade original e desta forma se tornaram um tanto quanto disfuncionais e provavelmente por isto, receberam o rótulo de “Negativas”.

Nos tempos “modernos”, o medo e a sua fisiologia já não serve para fugir, no sentido literal (correr com os pés) mas nos remetem a estados de ansiedade e a fugir de situações completamente imaginárias.

A raiva nos faz “trocar” os pés pelas mãos, como acontece quando ainda bêbe, a Riley chora de raiva porque o pai ameaça não dar a sobremesa a ela ou no outro episódio na mesa de jantar onde a raiva toma conta tanto da Riley quanto do pai dela e culmina em uma troca de gritos e atitudes que geram arrependimento.

E o nojo, que antes servia para uma proteção a vida, no filme atua com uma função completamente ao contrário: Riley tem nojo de brócolis, ou seja um alimento super nutritivo e “do bem”!

Lição sobre as memórias:

O filme aborda 2 tipos de memórias: Memórias e Memórias Base.

Vou começar pelas memórias base: Estas memórias são as que formam a base da personalidade de Riley. A partir das novas concepções, as experiências feitas antes dos 3 anos de idade têm um impacto decisivo sobre a arquitetura do cérebro. O cérebro da criança é duas vezes mais ativo que o cérebro do adulto. Um apego seguro e precóz com um genitor, não somente cria um contexto favorável, como também determina diretamente as conexões cerebrais.

No caso de Riley, as suas memórias de base eram super-apoiadoras e guardavam registros positivos tais como alegria, amizade, carinho, cuidado, amor, diversão, registros estes construtivos no que diz respeito a uma personalidade fortalecida, representadas no filme pelas ilhas de personalidade.

Ainda sobre as memórias, a foto acima mostra a prevalência, durante toda a sua infância das memórias amarelas, ou seja memórias de emoções positivas. Segundo a Teoria Construída e Ampliada de Barbara Fredrickson (2009), as emoções positivas atuam da seguinte forma:

• Ampliam a atenção, do pensamento e da criatividade: ações fora de rotina
• Ajudam a descobrir e construir recursos pessoais duradouros tais como: cognitivos, psicológicos (reagir a adversidades), sociais (dar e receber amor) e físicos (diminuição de sintomas de doenças).

Na ausência da alegria:

A trama se desenvolve e por ironia do destino, as emoções Alegria e Tristeza acabam, por motivos infortúnios, se ausentando contra a suas vontades do centro de comando da emoções (sistema límbico-hipotalâmico).

Na ausência da alegria e da tristeza, as emoções de Medo, Raiva e Nojo passam a comandar o cérebro de Riley.

Durante todo este tempo, os comportamentos de Riley fogem completamente de sua essência, da essência amorosa, amiga, divertida e suas atitudes passam a ser tão disformes de tal forma que se tornam irreconhecíveis por parte de todos que a cercam.

De qualquer forma, estas emoções, mesmo que disfuncionais, estavam apenas fazendo os seus “papéis” e cada uma à sua forma, tentando “ajudar” Riley a solucionar as suas questões.

Na ausência da alegria, as ilhas de personalidade ficam vulneráveis e vão pouco a pouco de desconstruindo.

O filme mostra também a importância da alegria na superação das dificuldades que totó o tempo não desistiu de alcançar os seus objetivos.

Pobre de Tristeza:

Durante toda a trama, percebemos os mandatos contra a pobre a tristeza. Ela não podia tocar em nada, nunca. Não podia se aproximar do centro de controle em nenhum momento, não pode tocar nas emoções de base. Ele se sentia sempre rejeitada, estava sempre depressiva e insegura e não sabia como agir no mundo. Ela era colocada à “margem” todo o tempo.

Estes são os mandatos mais comuns nos tempos atuais. Mandatos de seja forte, mandatos de que tristeza é sinal de fraqueza, mandatos que adultos ou homens não choram. Uma verdadeira repressão.

Até o momento tem sido difícil para os estudiosos do comportamento humano definirem claramente o porquê que a tristeza é importante. A tristeza é uma autoproteção e nos ajuda a aprender com nossos erros. Ela nos faz parar, desacelerar, nos faz conectar com nossos estados internos e nos ensina muita coisa respeito de nós mesmos.

A própria alegria chora em um momento do filme. E descobre que a tristeza foi a responsável por despertar nos pais e amigos de Riley compaixão o que gerou uma atitude de ajuda e consolo à Riley e isso que a ajudou a superar a sua dificuldade naquele momento.

A tristeza, assim como as outras emoções básicas, funciona como um mecanismo para nos devolver a homeostase. Isto fica claro no final do filme quando a alegria convida a tristeza para assumir o controle.

A tristeza foi a única capaz de reativar o sistema emocional de Riley. Ao assumir o centro de controle das emoções, a tristeza faz com que Riley se arrependa de fugir e finalmente ao se reencontrar com os pais ela é capaz de chorar, se mostra indefesa, se abre à sua essência carinhosa de confiança e amor pelos seus pais. Restabelece o equilíbrio, a calma e controle e finalmente a alegria!!

Pílula de Felicidade:

Ao contrário do que muitos pensam, a Psicologia Positiva não se constituiu como uma apologia da simples busca da felicidade e como consequência a eliminação da tristeza ou de qualquer outro sentimento negativo, muito menos de definir tais sentimentos como malignos.

Acho que a grande sacada está na capacidade de pulsar entre os estados. Ir fundo em si mesmo, mergulhar na dor, na tristeza, no luto e se organizar permitindo que as energias se equilibrem. E neste novo estado e então… voltar a florescer.

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