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A Crise e o caminho da totalidade: O Abraço das Eríneas

A Crise e o caminho da totalidade: O Abraço das Eríneas
9 de janeiro de 2017 Erika Mendel

A palavra Crise é derivada de Krísis, palavra grega que significa ruptura e que também derivam dela as palavras crítica e critério. A palavra Krísis era usada pelos médicos antigos com um sentido particular: quando o doente, depois de medicado, entrava em crise, era sinal de que haveria um desfecho: a cura ou a morte. Crise significa separação, decisão, definição. Portanto, podemos dizer que uma crise é um fato ou circunstância ou conjunto delas que produzem uma pausa sem definição em preparação para um “gran finale”.

As Deusas Erínias (Tisífone, Megera, Alecto) são representadas como mulheres aladas de aspecto terrível, com olhos que escorrem sangue no lugar de lágrimas e madeixas trançadas de serpentes, estando muitas vezes acompanhadas por muitos destes animais. Aparecem sempre empunhando chicotes e tochas acesas, correndo atrás dos infratores dos preceitos morais. As Erínias, são chamadas de Fúrias pelos romanos. Pavorosas e cruéis, as Erínias encarregavam-se de criar nas almas pecadoras o remorso e a necessidade de perdão.

Na Grécia matriarcal pré-helênica, elas se vingavam e puniam quem matasse seus parentes. Na peça Orestia, do poeta Esquilo, Orestes, mata sua mãe Clitemnestra e seu amante, Egisto, pois ambos haviam matado Agamenon, pai de Orestes quando este voltava da Guerra de Troia. Orestes era o Único que poderia vingar o crime. Esse matricídio  enfurece as Erínias, que saíram em sua perseguição.

Quando seu julgamento resultou num impasse, Atena, a Deusa da Sabedoria, foi chamada para dar o voto decisivo. Seu voto deixou Orestes livre de qualquer castigo pelo matricídio. As Erínias, não satisfeitas, exigiram vingança. Atena consolou-as com promessas de rituais especiais em sua honra. Elas então receberam outro nome, as Eumênidas, ou “as benevolentes”.

Elas nasceram das gotas do sangue de Urano quando ele foi castrado por Cronos. Quando Saturno castra Urano, psicologicamente Saturno castra as novas ideias de Urano e dessa forma Urano se mantém sem ação ou direção, sem possibilidades de mudança, ou seja em Estado de Krise.

As consequências da castração de Urano por Cronos são retratadas na mitologia. Quando reprimimos ou bloqueamos as necessidades de mudanças que surgem, nascem as Fúrias em nosso interior.

Podemos ter um profundo ressentimento contra aqueles que estão impedindo nosso avanço ou sentimos inveja daqueles que tem liberdade para progredir, enquanto permanecemos “parados”. A crise que gera a fúria da impotência e da castração.

Se usamos a energia de Urano inteiro, não castrado, e seguimos nossos impulsos uranianos para mudar e romper com as estruturas vigentes, indo em busca de algo novo, então quem se enfurece são as forças de Cronos.

Em momento de crise somos Urano, esse “paciente” medicado, que entra em crise, aguardando o seu desfecho: a cura ou a morte. Em ambas situações, encaramos as fúrias, seja ela nossa fúria interior, seja ela a fúria externa representada por Cronos.

Porém da castração de Urano por Cronos nasceu Afrodite. Esta parte do mito sugere que Afrodite ou Vênus – princípio do amor, da beleza, da harmonia, diplomacia e equilíbrio – pode nascer da tensão entre as forças de Saturninas e as forças uranianas.

Isso se traduz pela possibilidade de apresentar novas ideias e alternativas de forma habilidosa e diplomática que não seja ameaçadora para a ordem estabelecida das coisas. É abrandar a tendência Uraniana (Cronos) de romper abruptamente com as coisas e a tendência saturnina de manter tudo como está.

Se Urano desenvolve um estilo venusiano – diplomático – de fazer as coisas, pode persuadir Saturno a ter maior flexibilidade, mantendo o melhor do passado e abrindo espaço para novas ideias, propondo experimentar novas coisas. Ajudado por Vênus, Urano consegue preparar Saturno para algo novo de forma suave e ponderada. Quando desejamos mudar algo, devemos abrir espaço para que algo de novo aconteça. A transição se faz de forma diplomática e venusiana.

Às vezes, o tato e a diplomacia não funcionam. O sistema vigente pode recusar a ceder e aí não resta outra alternativa senão desafiar diretamente o sistema vigente e enfrentar as consequências. Em certas ocasiões, é politicamente correto romper com certas coisas, mesmo que tenhamos de enfrentar as Fúrias, para que possamos tomar um caminho que seja verdadeiro para nós.

As Erínias eram divindades presentes desde as origens do mundo e, apesar de terem poder sobre os deuses e não estarem submetidas à autoridade de Zeus, viviam às margens do Olimpo. Os deuses as rejeitavam, mas as toleravam. Assim como nós até hoje para sermos boazinhas, engolimos tanta coisa para agradar “o mundo”. Colocamos a Fúria fora do nosso Olimpo.

Essa fúria, gerada e guardada, causam verdadeiros estragos em nós. Imaginem que Fúrias era tão importante para os Gregos que eram consideradas Deusas!!!!

E nós aqui, sempre tentando coloca-las para debaixo do tapete, tentando enganar a todos insistindo para que ela não exista. Os homens fugiam delas. Sendo forças primitivas, atuavam como vingadoras dos crimes e reclamavam com insistência a punição do homicida com a morte.

As Erínias dizem que todas as crises são partes de crescimento e transformação aceleradas que trazem oportunidades. Entretanto, antes de alcançar a oportunidade, você tem de passar pela crise; para isso você tem de estender as mãos e pedir ajuda.

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